Lucas 20.1-7
A
resposta daquele grupo de líderes religiosos no faz pensar a respeito do tema ‘pragmatismo
religioso’. Eles não procuraram responder o que era o teologicamente correto,
mas, simplesmente responderam o que as pessoas queriam ouvir, o que não lhes
causaria nenhum tipo de dano.
O
que motivou aos líderes religiosos a agirem daquela forma?
1.
Eles não poderiam contrariar o status quo.
A
partir deste sentimento mesquinho, eles fazem uma pergunta a Jesus sobre com que autoridade ele fazia aquelas coisas. A resposta para a pergunta que fizeram era a mesma para a que Jesus fez. Eles queriam encurralar
a Jesus, pois qualquer uma das duas respostas deixariam Jesus mal, ou com o
povo ou com a elite religiosa judaica. Mas, foram eles que acabaram caindo em sua própria armadilha.
2.
O medo de ser cancelado
Se
respondessem que o batismo de João era do céu, seriam cancelados por seus pares
por irem contra o status quo, contra a interpretação teológica dominante, mas,
se respondessem da terra, seriam cancelados pela grande massa religiosa, por contrariarem
a crença popular, o que todos acreditavam, que João era um profeta e, portanto, o seu batismo
era dos céus. O resultado desta discordância certamente seria o cancelamento de
seus CPFs por apedrejamento.
Hoje
já não temos apedrejamento literal, mas, temos o chamado cancelamento social
e/ou virtual. Se for uma figura conhecida, um líder, as pessoas simplesmente
deixam de segui-lo ou convidá-lo para eventos. A maioria dos líderes religiosos
vivem de seu bom nome, que, uma vez sendo vituperada a sua imagem, jamais volta
a ser novamente uma referência para os seus seguidores. E, como vivem de seus
discursos, pregações, mensagens, naturalmente necessitam da grande massa para
ouvi-los e da elite religiosa para referendá-los.
O
paradoxo disso é que a massa determina o que quer ouvir, então, procuram um
líder para ouvir de acordo com a sua vontade. Assim, o líder não pode dizer o
que realmente pensa, mas, está subordinado a dizer o que acredita que irá
agradar a grande massa. Neste interim, a grande massa segue afirmando que tem
sido bem doutrinada ou ensinada por um grande líder. É mais ou menos como diz o
adágio: “O cão correndo atrás do próprio rabo”.
Conclusão
Jesus
não se rendeu ao medo de ser cancelado, pelo contrário, ele continuou pregando
a sua mensagem, desafiando a interpretação das principais escolas teológicas
dominantes de sua época, propôs uma nova interpretação das Escrituras, pregou
para as grandes massas sem o medo de querer agradá-las. A sua única preocupação
era falar o que precisa ser dito.


