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Um homem de Deus, buscando aproximar-se do seu ser essencial através de uma vida devocional meditativa, pesquisa, leitura de grandes autores, prática de uma vida piedosa, obras de amor ao próximo, oração e muito trabalho. Apaixonado por Jesus, por sua esposa, filho e nora. Siga no Instagran: sergiorosa50

sábado, 24 de outubro de 2026

Pragmatismo religioso: O medo do líder em ser cancelado

 Lucas 20.1-7

Era um dia comum de encontro religioso na sinagoga, Jesus estava ensinando a um grupo de Judeus na sinagoga. Ele era um jovem rabino e estava fazendo o que lhe era de costume fazer, quando chega um grupo de autoridade religiosa composta, nada mais, nada menos que: os principais sacerdotes, escribas e anciãos. Ao que parece, eles queriam pegar Jesus em alguma falha. Então, lhe preparam uma arapuca, utilizando perguntas maliciosas, com a única de levar Jesus a se autoincriminar, no entanto, Jesus respondeu à pergunta deles condicionando a sua resposta a resposta deles. Uma bela estratégia para fazer emudecer os seus algozes.

A resposta daquele grupo de líderes religiosos no faz pensar a respeito do tema ‘pragmatismo religioso’. Eles não procuraram responder o que era o teologicamente correto, mas, simplesmente responderam o que as pessoas queriam ouvir, o que não lhes causaria nenhum tipo de dano.

O que motivou aos líderes religiosos a agirem daquela forma?

1. Eles não poderiam contrariar o status quo.

Aquele grupo de líderes pertenciam a elite religiosa judaica, é provável que eles tenham sido enviados para uma missão, para pegar Jesus em alguma derrapada teológica. Era notório que a religião judaica não aceitava os ensinos de Jesus e trabalhavam ardilosamente para fazê-lo calar. Então, buscavam ouvir de Jesus alguma coisa pela qual pudessem acusá-lo, enquadrá-lo, algo que contrariasse a lei judaica.

A partir deste sentimento mesquinho, eles fazem uma pergunta a Jesus sobre com que autoridade ele fazia aquelas coisas. A resposta para a pergunta que fizeram era a mesma para a que Jesus fez. Eles queriam encurralar a Jesus, pois qualquer uma das duas respostas deixariam Jesus mal, ou com o povo ou com a elite religiosa judaica. Mas, foram eles que acabaram caindo em sua própria armadilha.

2. O medo de ser cancelado

Se respondessem que o batismo de João era do céu, seriam cancelados por seus pares por irem contra o status quo, contra a interpretação teológica dominante, mas, se respondessem da terra, seriam cancelados pela grande massa religiosa, por contrariarem a crença popular, o que todos acreditavam, que  João era um profeta e, portanto, o seu batismo era dos céus. O resultado desta discordância certamente seria o cancelamento de seus CPFs por apedrejamento.

Hoje já não temos apedrejamento literal, mas, temos o chamado cancelamento social e/ou virtual. Se for uma figura conhecida, um líder, as pessoas simplesmente deixam de segui-lo ou convidá-lo para eventos. A maioria dos líderes religiosos vivem de seu bom nome, que, uma vez sendo vituperada a sua imagem, jamais volta a ser novamente uma referência para os seus seguidores. E, como vivem de seus discursos, pregações, mensagens, naturalmente necessitam da grande massa para ouvi-los e da elite religiosa para referendá-los.

O paradoxo disso é que a massa determina o que quer ouvir, então, procuram um líder para ouvir de acordo com a sua vontade. Assim, o líder não pode dizer o que realmente pensa, mas, está subordinado a dizer o que acredita que irá agradar a grande massa. Neste interim, a grande massa segue afirmando que tem sido bem doutrinada ou ensinada por um grande líder. É mais ou menos como diz o adágio: “O cão correndo atrás do próprio rabo”.

Conclusão

Jesus não se rendeu ao medo de ser cancelado, pelo contrário, ele continuou pregando a sua mensagem, desafiando a interpretação das principais escolas teológicas dominantes de sua época, propôs uma nova interpretação das Escrituras, pregou para as grandes massas sem o medo de querer agradá-las. A sua única preocupação era falar o que precisa ser dito.