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Um homem de Deus, buscando aproximar-se do seu ser essencial através de uma vida devocional meditativa, pesquisa, leitura de grandes autores, prática de uma vida piedosa, obras de amor ao próximo, oração e muito trabalho. Apaixonado por Jesus, por sua esposa, filho e nora. Siga no Instagran: sergiorosa50

domingo, 28 de junho de 2026

O Deus do Antigo Testamento x o Deus do Novo Testamento

 

Será que existe diferença entre um e outro? Ambos são o mesmo Deus? Seriam ideias distintas sobre o mesmo Deus, ou está pacificado o entendimento entre o Deus do Novo e do Antigo Testamento? Esta é uma discussão antiga, que varreu os séculos. Todos os que discordaram da ortodoxia foram considerados hereges. Talvez por isto haja tanta preocupação de se debruçar sobre este assunto. No entanto, não dá pra fazer de conta que não há diferença entre a leitura do NT para uma leitura do AT.



Um pouco sobre o debate ao longo da história:

Século II – Marcião de Sinope

Marcião foi um dos primeiros grandes dissidentes da Igreja. Ele afirmava que o Deus do AT era um ser inferior, vingativo e legalista, distinto do Deus revelado por Cristo no NT, que seria puro amor e misericórdia. Criou um cânon próprio, rejeitando o AT e aceitando apenas parte do NT (principalmente o Evangelho de Lucas e algumas cartas paulinas). Sua doutrina, chamada Marcionismo, foi condenada como heresia, mas obrigou a Igreja a definir melhor o cânon bíblico e a reafirmar a unidade dos Testamentos.

Século II–III – Gnosticismo e Maniqueísmo

Gnósticos como Valentim e Basílides viam o Deus do AT como um “demiurgo”, um ser limitado ou até maligno, responsável pela criação material e pela opressão da humanidade. Mani, fundador do Maniqueísmo, pregava um dualismo radical: o mundo seria palco da luta entre o Deus bom (NT) e o Deus mau/criador material (AT). Essas correntes reforçavam a ideia de ruptura, mas foram rejeitadas pela ortodoxia cristã.

Século IV–V – Padres da Igreja (Irineu, Tertuliano, Agostinho)

Irineu de Lyon e Tertuliano combateram diretamente o marcionismo e o gnosticismo, defendendo que o AT e o NT revelam o mesmo Deus. Agostinho de Hipona formulou a célebre frase: “O Novo está oculto no Antigo, e o Antigo está revelado no Novo”. Para Agostinho, a severidade do AT era pedagógica, preparando a humanidade para a revelação plena em Cristo.

Século XVI – Reforma Protestante (Lutero e Calvino)

Martinho Lutero via o AT como parte essencial da revelação, mas enfatizava que a Lei (AT) não salva, apenas mostra a necessidade da graça revelada no NT. João Calvino defendia a imutabilidade de Deus: o que parece severidade no AT é justiça divina; o NT revela a misericórdia, mas sem negar a santidade. Ambos reforçaram a ideia de continuidade, mas com ênfase na progressividade da revelação.

Século XIX – Adolf von Harnack

Teólogo liberal alemão, Harnack considerava o AT inferior em valor religioso. Defendia que o cristianismo deveria se libertar da herança veterotestamentária, ecoando o marcionismo em versão moderna. Sua posição influenciou fortemente a teologia liberal, mas foi criticada por reduzir a riqueza da tradição bíblica.

Século XX – Hans Hübner

Teólogo alemão que sugeriu que o AT não deveria ser considerado parte da teologia cristã em sentido estrito. Para Hübner, o NT deveria ser lido de forma independente, sem a “carga” do AT. Essa posição foi vista como uma releitura contemporânea do marcionismo e gerou intenso debate acadêmico.

Século XXI – Teólogos contemporâneos

Ismael Sena Chagas, critica a tendência moderna de ver o AT como “história de fracasso” e propõe uma leitura integradora baseada na promessa e cumprimento. Teodorus R. Guerreiro responde a correntes que retomam ideias marcionitas, reafirmando a unidade de Deus e a importância do AT para compreender o NT. Correntes progressistas defendem que Deus é o mesmo, mas a percepção humana amadurece ao longo da história. o AT mostra justiça e santidade, o NT revela amor e graça.

Entre a ortodoxia e o liberalismo

A linha que sigo neste texto não e o da ortodoxia, no entanto, no entanto, também não é de linha liberal, em sua essência, muito embora é o liberalismo que tem a abertura para se fazer perguntas, o que nos permite ir atrás de respostas. No entanto, o liberalismo, por falta de um "freio" acaba caindo na teia da licenciosidade, onde tudo é permitido. Tentando fugir de extremismo, mas, com confiança de que podemos raciocinar sobre este e outros temas, sigo entre um e outro. Não se pode rejeitar completamente a ortodoxia, mas, não se pode deixar de questionar e buscar respostas, com responsabilidade. 

O que se percebe na discussão que varreu a história ao longo dos anos é que sempre foram apresentadas duas possibilidades, a primeira é que trata-se do mesmo Deus, a segunda é que trata-se de Deuses distintos, e portanto ou o AT ou o NT deveria ser rejeitado. O que parece que foi esquecido é quem escreveu todo este material contido na Bíblia. Não foi Deus, o Espírito Santo inspirou os autores, mas, ele não ditou letra por letra. As Sagradas Escrituras não foram psicografadas, portanto, há um tanto do Espírito Santo e um tanto do humano que se misturam no que foi escrito e descrito. A partir deste pensamento, havemos de supor que foi um misto do perfeito com o imperfeito. O perfeito dirigindo o imperfeito para nos trazer boas novas, informações construídas a quatro mãos.

O que isto nos fala? Para responder a esta pergunta, teremos que fazer outra: O homem de hoje é o mesmo de dez, cinco, quatro, dois, mil, quinhentos, cem, anos atrás? Não! O mundo muda, se transforma, a cada geração. Os pensamentos são modificados, dia após dia. Valores são substituídos por outros. Crenças são alteradas. Se você lê um livro escrito por Filo, grande historiador judeu, é totalmente diferente de ler qualquer outro historiador moderno. Sua lógica, seu raciocínio, sua hermenêutica, sua forma de estruturar o texto, sua cosmovisão, são totalmente diferentes de qualquer historiador atual.

A Bíblia levou cerca de 1.500 anos para tornar-se o que é. E, traz em si fragmentos de tempos bastante anteriores a isto. Seja através de materiais físicos ou culturais que chegaram até os primeiros escritores. Há se de pensar que durante todo este período houve muitas modificações no pensar humano.

Quando nos debruçamos com seriedade sobre a história narrada através dos vários livros da Bíblia percebe-se uma evolução no entendimento a respeito do divino. A história se inicia no Eden, com Adão e Eva, os primeiros personagens da narrativa veterotestamentária, que deram início a todos os seres humanos. Chegando até Noé, ocorreu o grande restart da humanidade com o dilúvio. Em Abraão Deus se manifesta entregando uma promessa para toda a sua geração, que se iniciou com dois filhos: Ismael e Izaque, sendo o primogênito nascido de uma escrava, fato este que não foi bem aceito na tradição. Ambos deveriam ser alcançados pela promessa, que incialmente não fazia diferenciação. Seguindo a tradição, a linha segue somente com Izaque, enquanto Ismael segue nas sombras dos escritos. Nesta linha aparecem os doze filhos de Jacó, bisnetos de Abraão, que dão origem ao povo de Israel. Este povo nasceu na Mesopotâmia, mas, cresceu no Egito, onde permaneceram durante 430 anos.

Até este momento a visão divina era do Deus de Abraão, Izaque e Jacó, o Deus familiar ou tribal. Era uma visão ainda míope da grandeza de Javé. Esta visão só irá se ampliar após os séculos vivendo no Egito, mas, propriamente quando veio a opressão sobre a geração de Jacó, que eram alienígenas no Egito. Neste período nasce Moisés, em uma época em que o povo hebreu estava crescendo mais que os Egípcios. Veio a ordem de matar a todos os meninos, recém nascidos. Moisés escapa da morte, salvo pela filha de faraó, que o adota e ele é educado em toda tradição egípcia. É nesta escola que Moisés se torna um grande líder, com uma poderosa cosmovisão. Moisés tem uma epifania, enquanto pastoreava o rebanho em Horebe, ele falou com Deus, através de uma sarça ardente. Deus atribui a Moisés a missão de salvar o seu povo da opressão do Egito.

Moises utiliza-se de vários sinais miraculosos e consegue libertar o povo das garras de faraó. Esta e outras experiências com Moisés liderando o seu povo no deserto, leva Deus a uma grandeza ainda não percebida pelo povo. Deus passa a ser Deus libertador de um povo oprimido, capaz de vencer os poderosos deuses do Egito.

O povo, após quarenta anos, vagando pelo deserto, finalmente entra na terra prometida, logo após toda aquela geração de mente fechada morrer, ficando apenas Josué e Calebe, com suas respectivas famílias. Com este povo de nova mentalidade, jovial, forjados na guerra, sob a liderança de Josué, exterminam povos que viviam em Canaã, e tomam suas terras. Agora, Deus cresce ainda mais se tornando YHWH Tsevaot (Jeová Sabaot), Senhor dos Exércitos. Sob o comando deste Deus, manifesto na liderança de Josué, o povo hebreu cresce na terra de Canaã, mas, até então não havia se tornado Estado, apenas doze tribos que se reunia somente para guerrear contra outros povos ou contra si mesmos.

A partir destas doze tribos nasce um governo Estatal, um reino, tendo Saúl o seu primeiro rei, que viveu toda a sua vida atormentado pela possibilidade de um golpe de Estado por seu “afilhado” Davi. Davi não o mata, embora tenha tido a oportunidade, mas, cria um poderoso grupo paralelo com soldados de não boa reputação, que se tornam seus valentes.Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito; e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens”. (I Sm 22.2).

Em Davi se inicia uma dinastia, que vai reinar sobre a tribo de Judá, mais tarde sobre todo o Israel, e após Roboão, somente sobre Judá novamente.

Durante o período dos Reis, surge uma figura nova, importante no Reino, os profetas. Juntamente com os sacerdotes, eram os responsáveis pelo culto e pela palavra revelada de Deus. Os profetas da corte tinham uma missão de orientar os reis em todas as questões do reino, principalmente sobre as guerras. Jeová Sabaot era consultado para saber se o rei deveria ou não ir a guerra. Um dos instrumentos usados era o urim e tumim, um tipo cara ou coroa, que o profeta utilizava em oração, para conhecer a vontade de Deus.

A partir dos profetas, Deus cresce ainda mais, tornando o Deus nas nações. Em Jeremias 16:19 lemos: “A ti virão as nações desde os confins da terra”; Em Salmo 47:8 lemos: “Deus reina sobre as nações; Deus está assentado sobre o seu santo trono”. Esta ideia do Deus de Israel é a concepção que temos até os dias de hoje, e que foi espalhada por todo o mundo. Quando lemos o Antigo Testamento parece que eles sempre tiveram esta concepção, mas, percebe-se que ela foi construída ao longo dos séculos.

Toda esta introdução para finalmente chegar no ponto crucial de nossa celeuma. Se há alguma diferença entre o Deus que se revelou à humanidade através da história de Israel e seu entorno, com o Deus que se revela no Novo Testamento em Jesus.

O nascimento de Jesus foi lincado pela tradição à profecia do AT, sobretudo do profeta Isaías 7:14: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”; Isaías 9:6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”; confirmada em Mateus 1:23: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco". Jesus foi apresentado no Novo Testamento não apenas como o Messias, mas, como o próprio Deus, que veio em carne e habitou entre nós.

Esta tradição foi confirmada pelos concorridos concílios:

Niceia (325): Jesus é “gerado, não criado, consubstancial (homoousios) ao Pai”

Constantinopla (381): reafirma a divindade e define a Trindade;

Éfeso (431): proclamou Maria como Theotokos (“Mãe de Deus”), reforçando que Jesus é uma só pessoa divina, mesmo possuindo duas naturezas;

Calcedônia (451): Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, em duas naturezas inseparáveis.

Estas definições se tornaram dogmas católicos, que foram absorvidos pelo protestantismo. Por serem dogmas, pouco se questiona ou se debruça sobre eles, para melhor entender as suas definições, sobre o risco de ser considerado herege, os que ousarem a debater o tema.

No entanto, é notória a diferença nas ações de Jeová Sabaot e Jesus. O primeiro era o Senhor dos Exércitos, o segundo tornou-se o Senhor dos Exércitos das milicias celestiais. O Deus do AT guiava o povo literalmente às guerras, e destruir os seus adversários. Enquanto, o Deus do Novo Testamento não se importa com política ou questões terrenas, e faz nova promessa, de uma Sião celestial, uma nova terra, que não é deste mundo.

Durante a história, nos muitos debates, muitos propuseram os mais diversos tipos de sugestões para responder a estas questões, e a maioria deles levava a cisões, divisões, brigas doutrinárias terríveis, e até mesmo prisões e mortes. Cada resposta criava um segmento de discípulos que, quando se tornava politicamente poderosos perseguia e oprimia a quem quer que fosse que pensava diferente. Os resultados dos concílios sempre foram decididos a partir do grupo predominante, que tinha ao seu lado o poder político, ou de alguma forma foi amparado por ele.

O que fica bastante claro é que a diferente visão de Deus não se dá apenas do NT para o VT, mas, é uma visão crescente, que se modifica a cada geração. Mas, trata-se da mesma fé. A fé em um criador, universal, único, todo-poderoso. Esta é ideia central, mas, que foi descrita de diferentes formas, através dos séculos. Portanto, não dá para fragmentar os escritos e separar o AT do NT, porque são visões distintas, a cada livro, da mesma coisa. São leituras humanas do que foi a revelação divina.

O grande problema é o que cada geração faz com este conhecimento? Como foi e é usado o nome de Deus na história. Deus, desde que ele se tornou o todo-poderoso, virou símbolo de ostentação para poderosos, que o instrumentaliza com a finalidade de manipular e controlar o povo.

Nas américas hoje, temos o Deus que se manifesta na política, escolhendo um candidato, e o ungindo para governar sobre as nações. E, nesta crença, o povo ouve a “voz profética” dos líderes religiosos, que os orientam a votar naquele que eles fielmente acreditam ser “o escolhido”. Se o Deus do AT, era Jeová Sabaot, e o Deus do NT foi Jesus, o Deus do presente século poderia ser bem chamado de Jeová Bechirot, o Senhor das Eleições.

Deus é sempre o mesmo, apesar das muitas diferentes narrativas. O nosso desafio é encontrá-lo no meio de tudo isto. E, entender que onde há opressão e política em nome de Deus, certamente não será ali que o encontraremos.

Sergio Rosa - Pastor

domingo, 24 de maio de 2026

FAMILIA PROJETO DE DEUS

 

Josué 24.14-24

Quando falamos em projeto nos remetemos a algo que está sendo desenhado como modelo ideal para depois ser construído.

Business plan, ou planejamento de negócios, é uma ferramenta bastante conhecida no mundo empresarial, sobretudo para quem quer empreender. Ele te permite conhecer o resultado de sua operação, antes mesmo dela iniciar. Deus idealizou um business plan familiar, quando idealizou a família. Criou um homem e uma mulher e disse aos dois: “sede fecundos, multiplicai-vos e povoem a terra”. (Genesis 1.28). Este foi o projeto que foi finalizado, pronto e acabado. Um homem, que se casa com uma mulher e tem seus filhos.

Quando preparamos um business plan, ele deixa de ser um projeto e passa a ser concreto tão logo o iniciamos, a partir deste ponto passa a ter vida própria. Nem sempre o negócio vai funcionar exatamente conforme o projeto. O projeto é um ideal platônico, já a realidade acontece a partir das decisões de quem está no comando do projeto recebido. Deus, idealizou tudo, fez perfeito, mas, a partir daí entregou o comando e as decisões para o homem e a mulher.

O projeto era muito bom, era perfeito. No entanto, no capítulo 3 de Gênesis, lemos que as decisões de quem estava no comando deste projeto não foram nada boas.

Se eu fosse Calvinista, eu diria que a culpa foi de Deus, pois ele sabia o que iria acontecer, permitiu e não fez nada para impedir. Mas, como sou mais propício ao livre arbítrio, penso que aquele casal fez uma má escolha e receberam como recompensa o resultado das escolhas que fizeram.

No texto em epígrafe observamos que Josué fez uma escolha e desafiou o povo a fazer a escolha deles. Ele disse: eu e a minha casa serviremos ao Senhor e vocês decidam o que querem fazer.

A partir desta introdução, eu gostaria de conversar com vocês sobre duas más escolhas que podem alterar o que Deus projetou para você?

1.      Primeira má escolha: A Indiferença

Ser indiferente é tratar com frieza aquele que está próximo.

O texto de Josué narra a trajetória do povo hebreu que estava lutando para conquistar a terra prometida. Eles já haviam conquistado muita coisa, faltava pouco. Josué estava conduzindo o seu povo na luta pela realização da promessa que Deus havia feito a ele. De que toda aquela terra seria deles.

Josué estava completamente comprometido àquela causa. Mas, mesmo em meio a tanta luta ele não esqueceu do principal, a sua família.

Eu me considero uma pessoa bastante ocupada, com muitos afazeres, responsabilidades e compromissos. Dirijo alguns negócios e estou no sétimo período de direito. Isto ocupa quase todo o meu tempo. No entanto, todos estes afazeres não me deixam tratar com indiferença coisas que são mais importantes que o trabalho. Por exemplo a minha saúde, minha fé e minha família.

Coloquei a saúde e a fé em primeiro lugar, porque sem estes elementos básicos, comprometemos a nós mesmos e a nossa família. Josué era um guerreiro, então, ele precisava ter um corpo saudável para poder combater o inimigo e precisava estar ligado em Deus. Imagina se ele não conseguisse correr ou levantar uma espada facilmente, ou se perdesse as orientações de Deus para aquela conquista. Colocaria todo o projeto de Deus em perigo.

Além de dedicar um tempo para cuidar da saúde e da fé, é preciso um tempo para se dedicar a quem se ama. Às vezes não temos muito tempo, o que devia ser o caso de Josué. Porém, nos parece que ele tinha uma boa qualidade de tempo com sua família, o que é demonstrado por sua preocupação para com eles.

Quando somos indiferentes com a nossa casa, não dedicamos tempo de qualidade. Às vezes podemos até estar presentes, mas, não damos a devida atenção. A indiferença em relação a sua casa causa sérios problemas, tais como: frieza, desamor, divergência entre os membros da família, brigas e outros mais.

Procure dar atenção, dedicando um tempo de qualidade para eles. Quando estiverem juntos, desligue o celular e outras coisas que roubam a atenção e se ligue completamente neles.

2.      Segunda má escolha: A Infidelidade

Quando a indiferença está presente no relacionamento, ela gera efeitos colaterais gravíssimos, um deles pode ser a infidelidade. A indiferença afasta os membros da família, e sem o devido acolhimento surge um espaço para uma terceira pessoa completar. Isto não é somente entre os cônjuges, pode acontecer também entre pais e filhos também. Pais que não dedicam a devida atenção aos seus filhos abre um espaço emocional para ser suprido e não sabemos quem irá ocupar este lugar.

Josué foi fiel a causa que Deus o desafiou a realizar, ele levou o povo a conquistar aquela terra. Ele enfrentou desafios, enfrentou guerras. Ele foi vitorioso em todos os seus enfrentamentos, cumpriu sua missão. Mas, não negligenciou seu cônjuge e filhos. Pelo contrário, ele demostrou imensa preocupação com as escolhas deles, e como pai de família declarou: eu e a minha casa serviremos ao Senhor. Toda a sua ocupação não conseguiu torná-lo indiferente e distante de sua casa.

Servir ao Senhor é andar sobre os seus princípios e direção. Quando andamos de acordo com os princípios divinos, estamos em sintonia com a proposta inicial de Deus, para a realização de seu projeto.

Família Ideal:

Gostaria, no entanto, de abrir um parêntese para falar sobre a família ideal. Esta que fica no imaginário cristão, e que pensamos quando falamos de família, que é um homem, que se casa com uma mulher, tem seus filhos e vivem juntos até que a morte os separe. Esta parece que era a família de Josué, e se parece com a minha também. Sou casado Há 34 anos e temos um filho de 31. Ele também se casou, no próximo mês fará quatro anos. Eles não têm filhos e não querem ter.

O meu filho é um exemplo de que há diversos tipos de formato diferentes de família, que devemos considerar, que fogem ao tipo de ideal que temos em mente. A família ideal, do projeto inicial, é um casal e seus filhos. No entanto temos famílias formadas de:

Mãe/Pai e filhos, onde a mãe/pai pode ter sido solo, divorciada ou viúva; Temos avós e netos, onde os pais podem ter morrido ou sumido no mundo; Temos casais sem filhos, por opção, como o meu filho; Tem casais que não podem ter filhos, mas adotam; Tem filhos que os pais morreram, e o mais velho assumiu, e tomou conta dos demais. O fato é que temos que, como igreja, cuidar de todo o tipo de família, e fazer programações que atendam a todas.

Não importa como seja o formato de sua família, o desafio é o mesmo: Não deve haver indiferença e muito menos infidelidade.

Conclusão

Indiferença e infidelidade, duas ações que corroem o projeto de Deus para que a sua família seja plena e realizada.

Como curar-se destes dois males? Com dedicação de qualidade de tempo, atenção, zelo e fidelidade.

Vencer este desafio envolve somente uma decisão: vou fazer de tudo para a minha família ser vitoriosa. A quem pertence este desafio? A todos os que vivem na família.

Josué não poderia vencer sozinho, se o seu exército não lutasse com ele ou se cada soldado lutasse sozinho, seria esforço em vão. Eles só venceram porque lutaram juntos. Josué tinha um motivo a mais para lutar, a sua família. Se fosse vitorioso, ele, seu povo e toda a sua família colheriam os frutos de sua vitória. Se perdesse, todos seriam penalizados.

Eles se uniram em torno do mesmo ideal e lutaram juntos. É assim que a família deve ser, precisam lutar juntos pelo mesmo objetivo.

Gostaria de orar por você que gostaria que sua família fosse melhor, que conseguisse vencer as muitas dificuldades que tem afetado a sua casa e que gostaria de se comprometer a ter um tempo de qualidade com eles. Basta deixar o seu primeiro nome nos comentários.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Adeus ano velho

O ano velho está para terminar, morrer, acabar. Uma semente só dá fruto se ela desaparecer dando forma a uma nova vida. Trata-se de uma continuidade e não de uma ruptura. Não há um processo de esquecimento do que se foi, ao contrário, há um laço inseparável entre o velho e o novo. Sendo bom ou sendo mal, o que passou é a base do que virá acontecer. Não é salutar que haja repúdio ao que aconteceu, trata-se de sua história. Quem abandona a sua história nega a si mesmo.

Há anos que quando vão terminando já sentimos saudades, a outros dizemos que já foi tarde - graças a Deus acabou! - Ao findar um ano as esperanças se renovam, surgem novas expectativas, a visão se restaura trazendo a perspectiva de algo novo e grandioso. O momento do fim é o tempo de se fazer promessas a respeito do próximo ano: estudar mais, aprender um novo idioma, formar-se, conseguir novo emprego, orar mais, começar a exercitar-se, alcançar aquela promoção tão aguardada, começar um novo romance, noivar, casar, divorciar.. - Não! - Divorciar não é uma boa expectativa, é sinal de fracasso, quer dizer que algo que planejamos com tanto carinho deu errado, não funcionou. Não, o divórcio está riscado. Vamos trocar por um ardente desejo de renovação de laços matrimoniais entre ambos, e onde havia brigas e desentendimentos, agora dará lugar a um amor duradouro. Onde ocorreu a intromissão de uma terceira pessoa, agora há uma blindagem que só cabem duas. Não um par em desequilíbrio, mas, dois que formam uma só carne.

Acompanhei uma família que foram vítimas de dor e tristezas, tiveram perdas profundas durante o ano, estão vivendo um tempo de luto. Um parente meu morreu no dia 25 de dezembro, lamentável, uma pessoa linda. Data ruim para morrer. Espero que eu não morra nesta data. Se tiver que escolher a data para morrer que seja na Páscoa. Natal é nascimento, Páscoa é morte, embora a tradição aponte para a ressurreição. Era durante esta festa judaica que o cordeiro era morto em celebração à data. Já o Natal é uma festa cristã que homenageia a vinda do Messias a este mundo. Não se sabe quem iniciou comemorações em dezembro, mês de inverno no Oriente, impossível de ter pastores no campo. Mas, de uma forma ou de outra, tornou-se uma data universal que representa o nascimento de Jesus. Mas, não pensemos em morte como plano de ação futura, mas, mera consequência da vida. Celebramos a vida, lamentamos a morte. O plano então não é morrer, mas, viver, não viver como se estivesse morto, mas, celebrar o dom da vida a cada manhã, e batalhar para melhorá-la a cada dia.

Vamos então, ao romper das luzes dar um adeus ao ano que vai e um bem vindo ao ano que vem, porque sabemos que o novo trará resultados melhores, inéditos, surpreendentes. Se o ano que está indo trouxe péssimas experiências, alegre-se, porque há maior chance do próximo ser melhor. Afinal, para quem está mal, o que vier de bom é lucro. Quem está enfrentando sérios problemas tem maior probabilidade de ter melhores momentos do que quem já está bem.

No entanto, não podemos ser como a Alice no País das Maravilhas! Sabemos que para muitos o próximo ano será bem pior. Pessoas que estão recebendo ou receberam notícias de doenças degenerativas, que foram desenganadas por médicos; pessoas que faliram no final do ano, e que irá iniciar o novo ano sem saber o que fazer ou como recomeçar; casais que chegaram ao fim do seus relacionamentos; pessoas que enfrentaram perdas irrecuperáveis; estas são como tantas outras tragédias da vida, como as que acontecem todos os fins de ano nas áreas de risco, com a vinda das fortes chuvas de verão, onde famílias perdem as suas casas e familiares. Não, positivamente o ano não será bom para muitos.

Porém, apesar de sabedor de tudo isto, não posso deixar de compartilhar uma palavra de esperança, de motivação, de fortalecimento e fé. Para quem teve perdas, a palavra é superação, é dar a volta por cima, se der para fazer isso. Para aqueles que foram desenganados é enfrentar o momento, aproveitando cada dia como se fosse o último, sabendo que muitos que não foram desenganados terão suas vidas ceifadas antes da sua. Então, cada suspiro deve ser valorizado com uma boa ação, uma boa palavra, um sorriso em meio a dor. Esta simples disposição fará bem tanto para quem vai, quando para quem fica.

Então, a partir desta reflexão, quero desejar para você e sua família, um feliz ano novo, cheio de superação, novas expectativas e realizações, muitas realizações!

Sergio Rosa - Pastor 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Cada cristão um discípulo

João 15.15

"Já não vos chamo servo, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas; tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer". 

O ministério de Jesus foi excepcional. Ele trouxe algo novo, que foi pouco entendido entre os religiosos de sua época. O judaísmo era a religião oficial, que era subdividido em diferentes grupos: Saduceus, a elite sacerdotal, que controlava o templo e de onde vinha o sumo sacerdote; os fariseus e escribas, estudiosos da torá e mestres da lei; os zelotes, que acreditavam na independência de Israel do poderio romano por intermédio da luta armada; os essênios, grupo ascético, separatista, que tinha a sua própria comunidade; e, os herodianos, grupo político-religioso pertencentes à dinastia de Herodes, totalmente ligados a Roma.

O trabalho desenvolvido por Jesus foi totalmente diferenciado de todos estes e outros modelos existentes, isto fica evidenciado em suas mensagens, principalmente no Sermão do Monte, quando ele ensinou a respeito da ética do seu Reino. A sua forma de ensinar cativava as multidões; o seu desapego ao poder, irritava aos seus opositores. Jesus não desejou ser um líder proeminente, não correu atrás de fama ou prestígio, ele queria apenas servir. Isto vinha na contramão de tudo o que todos os demais grupos ensinavam. Principalmente quando ele disse: “Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.” (Marcos 10.43-44)

Esta forma de agir de Jesus chocou a toda a liderança religiosa de seu tempo, principalmente a proximidade que mantinha de seus discípulos. Ele andava junto, comia junto, desenvolvia a obra junto com os demais. A forma de convivência diária com eles não era uma relação de poder, de domínio, de exploração, mas, de proximidade. Quebrando todo o protocolo da época, que existia entre mestre e alunos, ele chamou os seus discípulos de amigos. Nenhum outro líder, nem antes e nem depois fez tal afirmação.

A palavra utilizada por João neste texto para amigo é phílos. Phílos vem da raiz phileō, que significa “amar com afeição”, “gostar”, ou “ter carinho por”. É usado para descrever amizade íntima e voluntária. Na cultura grega, assim como em nossa cultura ocidental, phílos indica alguém com quem se compartilha a vida, os segredos e os valores. Em todos esses textos, phílos carrega a ideia de proximidade natural, diferente de obrigações formais. O discipulado cristão, portanto, é marcado por essa amizade profunda com Cristo, que se reflete na vida do seu próximo.

A palavra amigo traduz uma leveza que a religiosidade corrói. O ambiente religioso faz parte do desenvolvimento de nossa crença, mas, às vezes ele se torna tóxico, quando se afasta dos princípios ensinados por Jesus. Portanto, se olharmos para o discípulo cristão através de uma lente meramente religiosa, tudo se transforma em uma pesada obrigação. Neste momento, a satisfação em servir, o prazer da proximidade vai-se embora, e fica o enfado e o cansaço de se cumprir os ritos e as regras religiosos.

Olhando por este prisma, entendo que ser discípulo e fazer discípulo deve ser tão leve quanto desenvolver uma amizade. Não é algo que se consegue fazer rapidamente, demanda tempo e dedicação. O problema atual da igreja é que não queremos fazer discípulos, queremos formar prosélitos, apenas atrair pessoas para a igreja. E, muitos entendem que depois que uma pessoa levantou a mão pra Jesus, acabou a responsabilidade. Não é preciso mais cuidar.

Não foi este o exemplo que Jesus nos deixou. Isto não é discipular, é linha de produção religiosa.

Separei cinco características que acredito que todo amigo, portanto todo discípulo, deve desenvolver:

1. Lealdade

Um amigo está presente nos bons e maus momentos. Ele não abandona quando surgem dificuldades. Assim como um discipulador não abandona o seu discípulo.

2. Sinceridade

Um amigo fala a verdade, mesmo quando dói. Ele corrige com amor e busca o bem do outro. Um discipulador também corrige a quem discipula.

3. Empatia

Um amigo sofre junto, celebra junto, compartilha alegrias e tristezas. Ele se coloca no lugar do outro, oferecendo apoio emocional e espiritual. O discipulador sem empatia não consegue alcançar o coração de seus discípulos.

4. Confiança

Um amigo verdadeiro abre o coração, confia e é confiável. Em geral o amigo sabe o que está acontecendo com quem mantém amizade. Assim é a relação do discipulador e discípulo, ela se desenvolve na base da confiança.

5. Sacrifício

A amizade verdadeira envolve doação, tempo, energia e até renúncia. Jesus é o modelo supremo de amigo — Ele deu a vida por nós. Assim deve ser o relacionamento discipulador e discípulo, um vida de doação:

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos.” Jo 15:13

Conclusão

Sempre que penso na igreja, no convívio dos irmãos, no trabalho diário que é desenvolvido, penso em um grupo de amigos. Sei que nem todo o cristão tem esta visão, de tratar o irmão da igreja como amigo. Mas, este é o desafio, vencer a indiferença, a falta de empatia, e gerar proximidade.

Esta proximidade dá-se primeiramente com Deus, e depois, com o seu próximo. Acredito que uma pessoa cheia de Deus não queira o mal do seu próximo, mas, apenas o bem.

Uma igreja onde os membros desenvolvem tal grau de amizade, não apenas com os que já estão, mas, com os que estão chegando e os que estão de fora, torna-se uma igreja rica em comunhão, um lugar saudável para se frequentar e atrair multidões para fazer o mesmo. Como disse Bonhoeffer, a comunhão dos santos é um vislumbre do céu.

sábado, 16 de agosto de 2025

Democracia em desequilíbrio

O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento. Porque tu sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu o rejeitarei, para que não seja sacerdote diante de mim” (Oseias 4.6).

O Regime Militar deu-se entre 1964 e 1985, 21 anos ao todo. Destes anos, eu peguei de 1967, ano em que nasci, em diante. Eu estava com os meus 18 anos quando os militares devolveram o poder aos brasileiros. Minha primeira vez votando foi justamente a primeira eleição após a ditadura. Me lembro ainda de bastante coisas. Uma das mais marcantes foi a fila que eu tinha que enfrentar, na época da recessão, para comprar um quilo de feijão e outros alimentos que estavam escassos. Lembro também dos abusos cometidos por militares, que tinham carta branca para cometê-los devido ao regime de exceção implantado através do AI5.

Este foi um período complicado para os brasileiros comuns, principalmente para os mais pobres. O Brasil apresentou um crescimento acelerado, no início da ditadura, o chamado “Milagre Econômico”, queriam implantar o sonho americano no Brasil. Delfin Neto, foi o grande idealizador de toda a política econômica. As ideias de fato não foram ruins, excelentes eu diria. Porém, pecou em um dos principais pontos em que a maioria dos economistas liberais erram, na redistribuição de renda. Apesar do estupendo crescimento inicial e um PIB marcante, rapidamente a coisa toda foi abaixo, transformando-se em uma enorme recessão.

O milagre econômico que diluiu-se

Toda aquela maravilha do tal Milagre Econômico estava sendo bancada por empréstimos, com juros altíssimos, levando o endividamento externo a um crescimento exponencial, muito maior do que o crescimento interno. E, o pior, o lema era “fazer o bolo crescer para depois dividir”. Esta tal divisão nunca aconteceu! Com isto, houve altíssima concentração de renda nas mãos de pouquíssimos, e muita pobreza entre a maioria. Isto é bem parecido com o que acontece na Argentina hoje, onde o PIB cresce e o povo fica cada vez mais miserável. Esta situação não se sustenta por muito tempo. É preciso que haja circulação de moeda no País, para que a economia continue aquecida. Com a distribuição de renda a demanda aumenta e surgem novas necessidades de produção, que resulta no aquecimento econômico.

De 1985 para cá, se passaram apenas quarenta anos. Somos uma jovem democracia. Diferente dos USA que já tem 237 anos ininterruptos. Ainda estamos engatinhando, enquanto eles deveriam estar voando. No entanto, não é o que temos visto neste último ano. Em uma democracia não há como o executivo ter mais poder que os outros poderes, como se estivesse em hierarquia superior. Este posicionamento não corresponde à ideia de tripartição de poderes. E muito menos à teoria dos “freios e contrapesos”, consagrada pelo pensador francês Montesquieu.

Quase voltamos para a ditadura

No Brasil, por muito pouco não entramos novamente em um regime ditatorial, bem semelhante à Venezuela de Maduro. Onde, com apoio de militares, o poder foi tomado. Pelo que está amplamente noticiado, houve um planejamento para uma tentativa de usurpação do Estado. Tudo nasceu de uma inconformidade do candidato vencido, que não aceitou o resultado das urnas. Ele alegou que as urnas foram fraudadas, no entanto, não apresentou nenhum vestígio ou provas desta acusação. Baseado nesta preconcebida ideia, tramou meticulosamente um plano, que envolvia militares de alta patente e a manipulação do povo, colocando-os para protestar em frente aos quarteis, com a finalidade de dar legalidade ao ato golpista. No entanto, a trama não foi bem-sucedida e o ex-presidente está sendo julgado. Se confirmadas as acusações, pode pegar mais de quarenta anos de prisão.

Neste intervalo, seu filho foi para os USA e de lá, trama acintosamente contra o Brasil, incitando aquele governo a super taxar os negócios brasileiros. Segundo o executivo de lá, tudo isto porque ele acha que o ex-presidente brasileiro é inocente, honesto e cumpridor das leis. Até o presente momento, o filho do ex-presidente, um congressista brasileiro, continua com o seu mandato intacto, e recebe seu salário normalmente. Esta semana, no entanto, será encaminhado um pedido de cassação. É estarrecedor, que ele ainda não tenha sido caçado.

O Brasil foi acusado de violar os direitos humanos, será?

Interessante esta postura de defesa a quem tentou implantar um regime através de um golpe, apoiado por militares, e ainda acusar o Brasil de violar direitos humanos. Como alguém que extradita estrangeiros, mandando-os para uma prisão em El Salvador, desobedecendo algumas vezes a ordens judiciais, pode falar de direitos humanos? Como alguém que manda limpar as ruas, retirando todos os sem tetos, sem um plano de contingência e recolocação em abrigos para estes desafortunados, pode falar de direitos humanos? Por enquanto aqui no Brasil todos ainda têm o direito ao devido processo legal, ao contraditório e a ampla defesa, coisa que não é considerada em ditaduras.

No entanto, com diz o ditado popular: “ema, ema, ema, cada um com o seu problema”. Isto é um problema que eles têm que resolver por lá. Apenas mencionei pelo fato do Brasil estar sofrendo sanções a partir da acusação de estar violando a democracia. O que nos parece com aquela celebre frase atribuída a Lênin: “Acuse os seus adversários do que você faz”. Por aqui, apesar de nossa frágil democracia, os três poderes seguem funcionando, cada um em sua competência.

Assim, percebe-se que alguns líderes mundiais têm a tendência a querer estabelecer-se como governantes absolutistas, ditadores camuflados de republicanos. Eles acreditam piamente que podem melhorar tudo, desde que todos o obedeçam. Praticam toda a espécie de crimes, mas, não querem ser julgados por ninguém. É uma verdadeira síndrome messiânica. Querem ter controle total e absoluto. Para piorar, ainda contam com o apoio da maioria dos frequentadores e líderes da Igreja Evangélica, o que dá uma aparência de justiça divina. Alguns chegam ao ponto de se acharem escolhidos por Deus. Assim, quem os confronta estaria lutando contra o próprio Deus. Mas, não há lugar em um País democrático para este tipo de personagem. E foi, por isto, que deu-se a Revolução Francesa, retirando das mãos de reis absolutistas, e da própria Igreja, o poder total e entregando ao “povo”. Bom, esta é uma outra história, porque parte deste povo não compreendeu bem isto, e vivem realizando protestos para que voltemos para a ditadura.

Sergio Rosa – Pastor.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Coisas básicas da política que todo eleitor precisaria entender

. A nossa preferência por um candidato não mudam as suas propostas;

. O carisma de um candidato não o faz ser um político melhor;

. Todos os candidatos falam mentiras;

. É preciso entender a base política de cada candidato, analisar as suas propostas, e cobrar dele a sua execução, caso eleito, não apenas para cargos de executivos, mas, também do legislativo;

. Políticos de direita defendem o liberalismo econômico, você precisa entender o que é isto pra saber se realmente concorda. (em visita a um amigo que fez uma cirurgia pelo SUS, que defende a direita, eu falei: graças a Deus vivemos em um País social-democrata, né? Se fosse nos USA, você pagaria uma fortuna por esta cirurgia, ou morreria em casa, pra não ficar todo endividado);

. Políticos de extrema-esquerda defendem todas as pautas do movimento LGBT. Precisa entender o que isto e se você concorda;

. Políticos de centro, em geral estão mais abertos ao diálogo. Hoje temos um governo de executivo de centro esquerda com um vice de centro direita. É um avanço bem grande;

. Não adianta você votar em um Executivo de Esquerda e deputados e senadores de Direita, ou vice-versa, é um contrassenso;

. Não adianta você reclamar das ações do governo local e vender o seu voto. Depois de eleitos eles terão que tirar este dinheiro de algum lugar e será de serviços que seriam voltados para você e sua família;

. Pare de acreditar em tudo o que político diz e preste mais atenção em seu trabalho ao longo de sua carreira política, suas propostas e suas realizações (Há políticos que ficam décadas no poder, sem nenhuma proposta que valha a pena, não defendem nem a sua própria categoria e devido ao carisma e outros favores, são reeleitos);

. A internet hoje é uma fonte inesgotável de pesquisa, saiba fazer as perguntas corretas;

. Pesquise nos principais meios de comunicações se as informações procedem;

. Duvidem de políticos midiáticos, tão na moda ultimamente, que bradam forte, criticam tudo, são ferrenhos opositores do status quo, mas, não apresentam nenhuma proposta que pode mudar a sua vida enquanto cidadão;

. Você tem quatro anos pra fazer uma lista do que o seu candidato preferido fez ou está fazendo, acompanhe-o, apoie ele nas decisões importantes, mas, não deixe de criticá-lo;

. O político não é seu amigo pessoal, ele é apenas seu representante institucional, para de brigar com os seus amigos, parentes e até mesmo desconhecidos, como se ele fosse seu maior e mais achegado amigo;

. Aprenda a debater política sem ofender, ouça o que a outra pessoa tem a dizer, deixa de ser apenas reativo. O político deseja te usar como arma e instrumento para atacar aos outros, não entra nessa. Defenda as suas propostas e não a ele incondicionalmente. O político ataca ferozmente o seu opositor nos palanques apenas para atrair votos, faz parte do seu papel enquanto político. Faz parte do seu ambiente que é feroz. Mas, você é apenas um eleitor, como eu.

. A política não deve te tornar inimigo dos seus amigos, só porque têm outra preferência. Não é saudável que você deixe a convivência pacífica e alegre de seus amigos e parentes por causa de política. Quando chega a este ponto, é porque você está emocionalmente doente e precisa parar pra refletir. Veja se é realmente racional a sua postura;

. Não misture religião e política, seja ela qual for. Evangélicos e católicos tem maior poder de articulação de massa, mas, isto vale para todos. A esquerda que tanto critica a direita pelo uso massivo da religião, fez várias ações religiosas de religião espírita no governo atual. Dá no mesmo. Deixa a religião para o ambiente religioso e a política para a política;

. Nenhuma religião ajuda a um candidato a ser uma pessoa melhor. Alguns usam a religião como a sua base eleitoral. Com o crescimento dos evangélicos, virou moda ser cristão-político ou simpatizante; . Nem todos que dizem "Senhor, Senhor", são de facto do Senhor;

. Não relegue a política como se ela fosse algo qualquer sem importância, e não dê a ela maior importância do que ela realmente tem. Se ocupe em se atualizar e, pelo amor de Deus, esqueça estes vídeos rápidos de recortes e falas de lacradores, eles só irão te confundir;

. Por último e não menos importante, não seja um 'gado' ou 'ovelhinhas', apenas seguindo a voz do seu político preferido. Ele não é pastor e nem vaqueiro. É apenas um servidor público eleito para administrar os bens públicos;

Teria muitas outras coisas pra te dizer, mas, não quero te cansar. Estas são as coisas mais básicas, que o eleitor deveria saber.

Sergio Rosa - Eleitor

sábado, 2 de agosto de 2025

Vem relaxar com Jesus

 Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. Mateus 11.28 (NVI)

Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive”. Eclesiastes 3.12 (NVI)

Vivemos tensos demais com tantas as coisas, tanto que relaxar às vezes fica difícil. No entanto, é necessário para o bem-estar do corpo, da alma e da mente um pouco de relex. A prática de atividades saudáveis, o cultivo de momentos felizes, o afastamento de situações nocivas, são fatores que nos ajudam a ter um vida mais prazerosa.

A partir desta pequena introdução, eu gostaria de apresentar três conselhos práticos para quem deseja relaxar e ter um vida abundantemente.

1. Faça tudo o que você gosta e te faz feliz – Eclesiastes 11.9a

Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar”

Se não conseguir fazer tudo, ou se não for possível fazer agora, ao menos tente encaminhar a sua vida nesta direção. Quando fazemos o que gostamos, nos sentimos bem. Este sentimento é muito benéfico para a saúde. Desta forma, buscar aquilo que se gosta, é se encaminhar para a felicidade.

Por exemplo, eu gosto de passar um tempo de qualidade com a minha esposa. Um tempo no qual não temos que nos preocupar com a rotina da casa, igreja, trabalho ou estudo. Este tempo é preciosíssimo. Algumas vezes, saímos para passear em outras cidades, visitamos novos lugares, comemos em lugares diferentes, é sensacional.

E você o que gosta de fazer? (Passar um tempo com os netos? Passear? Estudar?)

2. Faça tudo aquilo que você não gosta, mas, te faz bem – Eclesiastes 11.9b

Mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento”.

Certamente você já descobriu que na vida não dá para fazer somente aquilo que gostamos, bom seria se pudéssemos. Há muita coisa que não gostamos de fazer, mas, precisamos fazer porque, apesar de não gostarmos, aquilo nos faz bem.

Apenas a título de ilustração, deixa eu compartilhar algo pessoal, eu detesto acordar cedo, principalmente no inverno, a cama parece que fica muito mais gostosa e nos abraça confortavelmente, nos deixando bem quentinhos. E, para piorar, eu não sou aqueles entusiastas de exercícios físicos. No entanto, de minha família de sete, todos já morreram, e o mais velho morreu com apenas 57 anos. Todos com problemas vasculares. Eu tenho 58. Assim, acordo bem cedo para me exercitar, não porque gosto, mas, porque me faz bem.

E você, o que você não gosta de fazer, mas, precisa fazer para se sentir bem? (Tomar remédio, tomar banho frio no inverno, acordar cedo, orar, ler a bíblia, se exercitar?)

3. Deixe de fazer tudo o que você gosta, mas, te faz mal.

Não dá pra fazer tudo o que se gosta de fazer, sem um freio, sem o bom senso, sem a percepção do que ocorrerá se percorrermos tal caminho. Assim, precisamos fazer tudo o que gostamos, mas, que de fato irá nos fazer bem, não só agora, mas, amanhã e depois também. Há pessoas que acham que o entorpecimento das drogas lhes faz bem. Certamente que a sensação é boa, se não, ninguém iria querer usar. No entanto, o uso de drogas leva à dependência daquele elemento e isto se transforma em uma prisão. Acredito que ninguém deseja ser um prisioneiro.

O que você precisa deixar de fazer, que te faz mal, embora você goste? (açúcar, gordura, sal..)

Conclusão

Estes são três conselhos ou princípios para viver uma vida boa. A partir daí, talvez dê para você relaxar um pouco mais e ainda ficar bem. Porque, se não tivermos saúde para gastar, equilíbrio emocional e recursos, fica difícil relaxar.