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Um homem de Deus, buscando aproximar-se do seu ser essencial através de uma vida devocional meditativa, pesquisa, leitura de grandes autores, prática de uma vida piedosa, obras de amor ao próximo, oração e muito trabalho. Apaixonado por Jesus, por sua esposa, filho e nora. Siga no Instagran: sergiorosa50

domingo, 30 de março de 2025

Desenvolvendo a maturidade cristã: na comunhão, adoração e serviço

João 17:21

Schopenhauer foi um filósofo alemão, que viveu no século XVIII. Ele é conhecido por suas ideias pessimistas sobre a existência humana, acreditando que a existência era marcada pelo sofrimento e insatisfação constante. É atribuído a ele o chamado dilema do porco espinho, que diz que durante a era glacial, os porcos-espinhos se uniram em grupos para se aquecerem e se protegerem mutuamente contra o frio. O desafio deles era tornar-se apenas um corpo, todos unidos e quentinhos. Mas, para isto acontecer, teriam que vencer as suas limitações pessoais, em nome de um bem maior, as suas existências. Sem a troca do calor entre eles, seria impossível sobreviver ao frio sem congelar-se.

A maturidade cristã é um desafio bastante semelhante a dos porcos espinhos, porque é preciso aprender a viver em comunhão uns com os outros, se quisermos sobreviver, enquanto igreja, aos dilemas que se apresentam com força o suficiente para destruí-la. Entenda que destruir a igreja não é necessariamente fazer com que ela feche as portas, mas, que se torne inoperante.

Atos 2.42 diz: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”. A Igreja neotestamentária que estava surgindo em Jerusalém, logo após a ascensão de Jesus aos céus, tinha as características de comunhão, adoração e serviço, e foi devido a estas características que sobreviveu ao longo dos anos, até nos alcançar nos dias de hoje.

Vamos ver estas características:

1. Comunhão

A palavra “comunhão” no grego é traduzida como “koinonia” (κοινωνία), que significa “comum” ou “compartilhado”. Este termo é utilizado para descrever a relação íntima e a participação mútua entre os membros da comunidade cristã. A sua essência implica um profundo envolvimento e compromisso entre os indivíduos.

A igreja de Atos não apenas se sentava rotineiramente no templo para cantar, orar e ouvir uma boa mensagem; eles comiam juntos e se ajudavam mutuamente. Convivência e ajuda mútua foram as suas principais características.

Outro dia recebemos mais uma triste notícia de um pastor que se suicidou. O que foi noticiado é que ele sofria de depressão e acabou por dar fim a própria vida. A característica de pessoas que buscam o suicídio é a solidão. Muitos se isolam do convívio dos demais irmãos e acabam se enfraquecendo.

A comunhão nos alegra e nos torna mais fortes. Ela não é fácil, é um enorme desafio, porém, é recompensadora. Nos alegramos ao reencontrar nossos queridos irmãos, nos abraçamos, sorrimos, festejamos. E isto é terapêutico, um balsamos para a mente, espírito e alma.

2. Adoração

Aquele povo em Jerusalém sabia como adorar a Deus. O verso 46, do capítulo 2 de Atos afirma que eles viviam diariamente no templo. Eles tinham prazer em se reunirem com os demais irmãos. A reunião deles não era apenas para bater papo, o que já seria muito bom, ia além, era para juntos adorarem a Deus.

Hoje, com toda a correria da vida, estudos, trabalho, família, obrigações, e entretenimento, é difícil ter uma regularidade no templo. Diferente de nós, eles não tinham nenhuma destas coisas que temos hoje, e que nos fazem ficar ocupados todos os dias, o dia todo. E, eles não desperdiçaram o tempo, utilizaram para aplicar-se a adoração no templo.

Quando fui membro da Igreja Batista em Jardim Santa Rosa, há quase trinta anos atras, tivemos momentos muito marcantes de oração e adoração. Nos reunimos várias vezes no monte para orar e passávamos ali a madrugada orando. Jesus fez isto várias vezes com os seus discípulos. A adoração é intima da oração, elas andam juntas. Um adorador vive na busca do Senhor em oração.

A adoração nos aproxima mais de Deus e consequentemente do nosso irmão. Quanto mais perto de Deus estamos, melhor será o nosso relacionamento com os nossos semelhantes. A adoração, portanto, tem como resultado a comunhão e o serviço ao próximo. Não há como entender um crente que diz que ora o tempo todo e destrata as pessoas,  briga com todos e não tem paciência com os demais.

3. Serviço

Em I Co 4.1: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e mordomos dos mistérios de Deus”. A palavra ministro quer dizer “aquele que serve”.

Ser ministro é servir. Todo adorador é um ministro, portanto, tem um chamado para servir. Não fomos chamados para apenas assistir aos cultos, mas, para participar efetivamente da obra. Para isto, Deus concede dons espirituais para todo crente em Cristo Jesus, para que a igreja desenvolva diversos ministérios e o trabalho nunca pare.

Em certa ocasião, quando estávamos construindo o templo da IB Belmonte/BA, no meio da construção houve uma enchente na cidade. Uma das irmãs, que tinha dois filhos menores e não tinha marido, teve a sua casa destruída pelas águas. Eles moravam em um barraco. A melhor coisa que aconteceu com ela foi perder a sua casa. Eu conversei com a diretoria e decidimos construir uma casa para ela. Fizemos uma ótima casa, com dois quartos, cozinha conjugada com copa, banheiro e área de serviços. Fiquei preocupado, porque não tínhamos muitos recursos. Porém, não perdemos nada, pelo contrário, com isto, as entradas e ofertas da igreja aumentaram e construímos o templo ainda mais rápido.

Conclusão

Para concluir, a comunhão, adoração e serviço, são frutos da maturidade cristã. É um resultado de quem anda com Deus e cumpre a sua vontade. E, o que ocorre em uma igreja onde tudo isto é real, é a unidade. A unidade é o que leva uma igreja tornar-se vencedora. Uma igreja unida vence qualquer barreira e obstáculo. Uma igreja que vive em unidade explode em crescimento, porque não há brigas e dissensões. Tirando Deus, não há nada que seja mais poderoso do que a unidade.

Tommy Tenney diz que: Uma igreja vivendo em unidade é o time dos sonhos de Deus. Jesus disse em João 17.21: “para que todos sejam um”.

Se você ainda não alcançou a maturidade cristã ou por algum motivo cessou de buscá-la, hoje é o tempo que Deus escolheu para você retornar para o caminho do crescimento. A igreja mais do que nunca, necessita de cristãos maduros para vencer os dilemas do tempo presente.

Se você está afastado dos caminhos do Senhor e deseja voltar, este também é o seu momento para reiniciar a sua caminhada. Se você ainda nem começou e gostaria de começar hoje a sua caminhada com Cristo, hoje também é o seu momento, tempo para começar uma caminhada com Deus.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Quando o medo nos faz afundar

Mateus 14.22-33

Há muita gente perversa que se alimenta dos nossos medos. Milicianos que exploram moradores, que tem medo de denunciarem e serem mortos. Afinal, não se sabe até onde vai os tentáculos das milícias. Eles mesmos entre eles têm medo. Medo de invadirem o seu território e serem mortos. Assim, eles vão ficando cada vez mais poderosos, explorando o medo das pessoas.

Medo, é sobre isto que gostaria de tratar com vocês.

No verso 26 a versão ARA, diz que os discípulos ‘ficaram aterrados’, diante da visão. A NVI traz a expressão ‘aterrorizados’. A NTLH diz que eles ficaram ‘apavorados’. O fato demonstrado no texto é que eles nunca haviam sentido tanto medo como naquele dia.

Medo é um sentimento que é inerente a todas as pessoas. Todos nós sentimos medo de algo ou em determinada circunstância. Qual é o seu maior medo? Você sente algum medo que te bloqueia de alguma forma ou te leva a ficar apavorado? Se é o seu caso, trago boas notícias, você pode aprender com Pedro a superar os seus medos.

O segredo está na confiança plena em Jesus. Pedro foi desafiado naquela madrugada a confiar plenamente. Era entre três e seis da manhã, quando tal fato aconteceu. Eles estavam no meio do mar da Galileia, também chamado de lago de Genesaré ou mar de Tiberíades, a cerca de cinco quilômetros da margem. Os discípulos deveriam estar cansados, pois estavam a noite toda no mar. Estava quase amanhecendo, havia uma penumbra que os permitiam enxergar algo vindo em direção deles, andando sobre as águas. Entretanto, não conseguiram discernir exatamente o que era. Então deduziram, rapidamente, que só poderia ser um fantasma.

A palavra grega para fantasma tem o mesmo significado na língua portuguesa: trata-se de uma aparição de um espírito desencarnado ou algo neste sentido. É interessante observar que mesmo andando com Jesus já há tanto tempo, eles ainda tinham medo de fantasmas. Portanto, se você se converteu há muito tempo, mas, ainda tem medo de fantasma, não se culpe, os discípulos também tiveram. Eu conheço algumas pessoas que tem medo de assombração, não deveriam ter, mas têm. Eu tenho medo é de gente viva, porque quem está morto não tem como fazer nada conosco.

Pra você que tem medo de assombração, imagina, se uma aparece e vai se aproximando de você, e você está morrendo de medo, e para piorar, ela ainda fala contigo. Quanto mais o fantasma se aproximava, mais eles sentiam medo. Entretanto, quando o fantasma se aproximou e falou com eles, reconheceram a sua voz, era Jesus. - Ufa! Que alívio. - Pedro rapidamente, tomado pela emoção, pediu a Jesus para ir com ele e também andar sobre as águas. Jesus disse: Vem! E ele foi.

Em geral o nosso encontro com Jesus é tomado de muita emoção, e isto é maravilhoso. Somos levados às lágrimas ou a uma alegria incomparável. Porém, a nossa fé não pode ser baseada somente na emoção que sentimos, seja nos cultos públicos ou em nossas devocionais caseira, a nossa fé precisa ser madura. Talvez seja por isto que o Senhor nos prova a nossa fé. Nos momentos das provas somos desafiados a confiar que Jesus não nos deixará afundar por completo. Ele não nos deixará afogar.

Pedro confiou em Jesus e, levado pela emoção, se lançou sobre as águas e caminhou. Porém, em determinado momento, ele desviou a sua atenção de Jesus, prestou mais atenção na força do vento e novamente sentiu medo. Foi neste instante que ele começou a afundar.

Gostaria de destacar três elementos marcantes neste texto:

1. Pedro reparando na força do vento teve medo

Em um primeiro momento Pedro teve uma tremenda convicção de que poderia andar sobre as águas. Ele era bastante impulsivo, talvez tenha feito sem pensar, mas, depois que fez sentiu medo. O seu medo fez com que ele visse as ondas maiores, mais altas, do que Jesus. O seu medo ofuscou a sua visão e a sua fé.

Todos nós sentimos medo diante de situações difíceis. O medo nos balança e tenta nos desestabilizar. O medo não é um sentimento ruim, precisa ser encarado apenas como um alerta, como aquela luz amarela ou vermelha que nos avisa do perigo. Ao receber o aviso, devemos apenas nos preparar e não nos desesperar.

O Pr Mauro Sanches, da PIB Parque Alian fez um teste com os pastores da Meritiense. Uma das perguntas foi: De que você tem medo? Um dos pastores respondeu que era de ficar sem ministério. Como ele é pastor de tempo integral, ele tem medo de perder a sua fonte de sustento. Muitas pessoas têm medo de ficarem desempregadas a partir de certa idade. Mas, o medo não pode te travar. Você precisa canalizar esta energia para o lugar certo. Quem sabe se preparar melhor, desenvolver mais a sua profissão, investir em conhecimento, buscar crescimento no que você faz, e, sobretudo confiar na provisão do Senhor.

Pedro inicialmente estava confiante, ele pediu a Jesus para ir até ele, ele tinha convicção de que poderia também andar sobre as águas, no entanto, a fúria dos ventos e das águas batendo em seu rosto o fez duvidar. Neste momento novamente ele teve medo.

2. Pedro reparando na força do vendo começou a afundar

Quando seguimos a nossa vida olhando diretamente para Jesus, ele nos sustenta diante de todos os dilemas da vida, de tal forma que podemos andar sobre as águas sem perceber os ventos contrários, porém, basta tirarmos os olhos de Jesus para que tudo em nosso entorno comece a afundar.

Quando a minha sobrinha mais velha, a Raquel, era criança, eu a ensinei a andar de bicicleta. Ela montou e eu fui a segurando pelo selim. Ela estava confiando em mim. Porém, um determinado momento, ela olhou para traz e não me viu. Neste momento ela teve medo, desequilibrou e caiu. Ela poderia continuar andando, porém, ela perdeu a confiança pelo fato de não me ver.

No caso de Pedro, ele confiou em Jesus, porém em determinado momento ele deixou de vê-lo. Talvez neste momento um pouco de autossuficiência entrou no seu coração quando deu os primeiros passos. Ele deve ter olhado para ele mesmo e dito: Nossa! Estou andando sobre as águas. Eu sou mesmo poderoso! Neste momento ele perdeu Jesus de vista e começou a notar o tamanho das ondas.

Jesus permitiu que Pedro afundasse só um pouquinho, somente para ele entender que não tinha poder algum. O seu poder vinha de sua fé em Jesus. Quando ele desviou os olhos de Jesus, a fé deu lugar à dúvida e a dúvida ao medo.

3. Reparando na força do vento entrou em desespero

O vento forte formava grandes ondas, que batiam no rosto de Pedro, e talvez por um momento Pedro não conseguiu ver a face de Jesus. Isto acontece quando os problemas da vida nos cercam. Parece que não conseguimos ver a Jesus naquele momento. Quando isto acontece o desespero começa a tomar conta, porque nos sentimos frágeis.

Paul Tillich foi um teólogo Alemão que participou da segunda grande guerra como capelão, relata que certa noite, esgotado, andando no meio de cadáveres, muitos deles seus amigos pessoais, entrou em desespero. Ele era um cristão, porém, tinha uma visão distorcida de Deus. Ele confiava mais nos filósofos clássicos, do que na experiência com Deus. No meio da guerra, toda aquela certeza que tinha desapareceu. Ali, em meio aquela experiência terrível ele entrou em desespero. Viu toda a sua certeza desaparecer. Foi em meio aquele terror que ele teve uma experiência autêntica com o verdadeiro Deus.

Diante do desespero Pedro começou a afundar. Mas, neste momento foi que ele teve a sua real experiência com Jesus. Ele começou a gritar por socorro. Ele gritou por Jesus: Salva-me, Senhor! A melhor coisa que aconteceu com Tillich e Pedro foi afundar. Só assim eles conheceram a fé verdadeira. Eles foram depurados de suas emoções e autoconfiança, e restou apenas a fé genuína.

Conclusão

As muitas tribulações da vida, às vezes, são tão fortes, que nos fazem temer, afundar e até mesmo entrar em desespero. É neste momento que você precisa saber que Jesus está perto, ainda que tenha dificuldades para vê-lo, ele está bem próximo e te estende as mãos. Cabe a você esticar a sua mão, para que ele possa te puxar de volta e te salvar.

Diante dos ventos fortes que nos atinge de forma intensa, devemos sempre confiar plenamente que Jesus irá nos salvar das tribulações. Ele estará sempre com as mãos erguidas em nossa direção para nos ajudar.

O tentador quer nos fazer desconfiar, quer nos roubar a atenção, ele lança suas setas para que olhemos para outro lado. Neste momento é preciso vencer a tentação e continuar crendo, apesar dos ventos contrários. É preciso manter os olhos fixos em Jesus e não se deixar levar pelas circunstâncias.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Viva uma vida que vale a pena!

Mateus 25.14-30

O tempo pode ser um aliado ou um inimigo implacável, o que define isto são as nossas decisões. O tempo é um cobrador insaciável, que nos cobra diariamente o preço de um dia para permanecermos vivos. A cada dia que vivemos pagamos com um dia a menos na contagem do fim dos nossos tempos. O tempo nos empresta uma determinada quantidade de dias para vivermos, e por esta razão, devemos fazer esta importância recebida render o máximo que pudermos.

O tempo não nos pergunta quantos anos queremos viver, para cada uma pessoa ele dispõe uma quantia diferente. Uns recebem um tanto, outros recebem menos um tanto, e outros recebem bem pouco. Para muitos isto pode parecer injusto, mas, é assim que é. Não há injustiça em um sistema que não há predileções é completamente aleatório. Sentimos tristeza quando a contagem é interrompida abruptamente ou quando é muito precoce. Deveríamos encarar com mais naturalidade este aspecto da vida e parar de procurar por culpados.

Naturalidade da vida e sua aleatoriedade

Em minha casa havia um pé de manga, era uma árvore muito frondosa e dava muitos frutos. Da varanda da casa de minha irmã, no segundo andar víamos os frutos de perto e dava para pegar alguns com a mão, sem muito esforço. Certo dia, parei para observar os seus frutos, notei que havia tamanhos diferentes deles presos nos ramos. Alguns eram pequenos, outros médios e havia os grandes e viçosos. Reparei no chão flores caídas que nunca chegaram a virar fruto e pequenos frutos que caíram antes mesmo de desenvolver-se. Naquele mesmo momento fiz um link com a nossa existência. É a mesma coisa. Há aqueles fetos que nem chegam a nascer, há os bebês que morrem precocemente, crianças que se vão antes de chegar a fase adulta, adultos que morrem ainda jovem, e aqueles que vivem uma longa vida. No entanto, todos chegam a um final de contagem de tempo.

Aquela mangueira me ensinou uma preciosa lição, não importa muito o que se faça, se a contagem do seu tempo chegar ao fim, você irá partir. Talvez isto não faça muito sentido para muitos, porém, não é para fazer sentido, é para se entender o sentido. Se observarmos bem direitinho algumas leis, elas também não farão sentido. Por exemplo a lei da gravidade que estabelece a força de atração da matéria, o que quer dizer que um objeto não cai, simplesmente é atraído para o centro da terra. Assim, não precisamos ver sentido em nos espatifar no chão quando tropeçamos, ou ver o nosso corpo sendo atraído lentamente, com o passar dos anos, em sentido da terra, principalmente o corpo feminino, porém, precisamos entender que é assim que a coisa funciona.

Olhando a coisa por esta lente, parece que precisamos apenas sentar e esperar o nosso fim, já que tudo é aleatório. Na verdade, não, porque diferente de uma manga, nós podemos tomar algumas decisões que um broto não consegue tomar. Dentro de nossa limitação humana, há decisões que podem modificar um pouco as nossas vidas para melhor ou para pior. Não temos domínio de quando o nosso tempo cessará a contagem e nem se iremos ficar terrivelmente doentes, mas, temos algum domínio de como será a qualidade deste tempo que nos foi cedido. Também temos algumas opções de escolha, chamamos isto de livre-arbítrio. Podemos escolher entre: fazer o bem ou o mal; amar ou odiar; comer muita gordura, sal, açúcares e carboidratos ou comer de forma equilibrada; praticar exercício ou viver sedentário; contentar-se em viver com o seu cônjuge ou ter diversos amantes; desenvolver um caráter ou tornar-se um mal caráter; ser transparente ou ser um hipócrita; tornar-se um sociopata ou desenvolver uma mente saudável; usar as pessoas para subir na vida ou ajudar ao próximo; vencer o medo ou ser dominado por ele; tomar decisões importantes ou viver na mediocridade. Enfim, dentro de um limite, há uma infindável lista de boas decisões que podemos tomar.

Os talentos como dias vividos

Se considerarmos os talentos recebidos como dias ou anos, entenderemos que ao receber certa quantia, recebemos junto uma certa limitação, que não impede a nossa ação decisória. É tolice tentar imaginar o que faríamos se tivéssemos recebidos uma quantidade melhor ou maior, como a nossa vida poderia ser diferente. Este tipo de devaneio é utópico, não é realista, e não é produtivo. Precisamos nos concentrar em como podemos multiplicar o talento que recebemos. Não se trata de conformismo, mas, de realismo. Podemos e devemos lutar para ampliar o que recebemos, mas, não podemos mudar quem somos, de onde viemos, ou o que nos foi deixado por herança. Não há como mudar se fomos vítimas de uma grave enfermidade ou de um acidente que nos deixou grandes sequelas, mas, dá pra definirmos quem queremos ser a partir destes episódios.

Se a licença poética me permitir forçar a aplicação do texto, penso que deveríamos nos concentrar em fazer do tempo recebido os mais eficazes possíveis. Uso a palavra eficaz e não felizes, pelo fato de alguém ser tentado a entender que devemos ser felizes 100% do nosso tempo, o que seria uma coisa impossível de acontecer e seríamos vistos como um tipo estranho de pessoa. Consegue imaginar alguém que fique rindo o tempo todo? Você chega para a pessoa e diz: Amigo, a tua mãe morreu. E, a pessoa cai na gargalhada. Esta pessoa certamente não seria considerada normal. Portanto, a nossa existência deveria ser dirigida pela busca de algo superior, que nos faça transcender a uma mera existência, e não um conformismo com uma existência simplória de alguém que espera o acaso ou queira simplesmente encontrar a felicidade.

Uma forma de dar um sentido a este pouco ou muito tempo que temos na face desta terra, penso que é tentar perceber que Deus criou a natureza e suas leis. Se compreendermos as leis naturais e entender que também existem leis espirituais, há uma chance de tomarmos melhores decisões, melhorarmos a nossa cosmovisão, desenvolver uma vivência melhor com o próximo, vivermos uma vida melhor.

Neste ano que se encerra, o meu desejo é que você possa fazer uma autoanálise de sua vida, e responder se está vivendo uma vida que vale a pena, ou tomou alguns caminhos que te levaram para uma vida ruim; ou, foi levado por outros que te conduziram de forma leviana a um caminho ruim e te deixaram de saldo um grande prejuízo. Se este é o teu caso, ainda há tempo de você tomar novamente as rédeas de sua vida e conduzi-la para um lugar melhor. Há tempo de você trabalhar pesado para multiplicar o talento recebido e fazer da sua vida uma ótima caminhada.

Que tudo isto aconteça no ano que está nascendo. Um 2025 muito eficaz para você!!

Pr Sergio Rosa.

 

 

 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Vantagens e desvantagens do home office

A principal vantagem do home office é que você trabalha em casa e a principal desvantagem é o fato de você trabalhar em casa. Ou seja, há vantagens e desvantagens para o trabalho feito nesta modalidade. Trabalhar fora ou de casa interfere diretamente nas horas que perdemos no trânsito. Desta forma parece ser bem atrativo, porém, há outras vertentes a considerar, como o espaço físico que precisamos para produzir, a resposta que precisamos dar para as demandas familiares quando estamos em casa, e o cumprimento da carga de horário.

Translado

O trabalhador gasta muitas horas no trânsito, diariamente, para chegar ao seu local de serviço. Tempo este desperdiçado, improdutivo, que se perde apenas na locomoção. Há pessoas que chegam a gastar de duas a três para ir e para voltar do trabalho. Mensalmente daria cerca de mais de 100 horas perdidas da vida.

Olhando por este viés, este seria um grande benefício do trabalho feito de casa, o trabalhador ganha em qualidade de vida, podendo utilizar este tempo para alguma coisa útil, ou simplesmente relaxar. Além disto, ele se livra do estresse do trânsito, que faz as pessoas chegarem cansadas e nervosas em seu local de trabalho e esbagaçadas em casa.

Espaço para produção

Para os afortunados que dispõe de um cômodo em casa para instalar o seu escritório, para aquele cujo a casa fica vazia durante o dia, ou para quem mora sozinho, é ótimo, pelo fato de ter um local de trabalho isento das demais atividades da família. No entanto, nem todos gozam deste rico benefício. Há famílias grandes que moram em casas pequenas, que precisam disputar espaço para produzir. E, dependendo do tipo de serviço, é preciso bastante privacidade para que a coisa seja bem-feita. É o caso de professores que precisam dar aulas online.

Desta forma, para quem goza de espaços em sua residência para funcionar como escritório, tem um ganho muito bom, porém, quem não possui, sai em desvantagem e este se torna um ponto negativo, dependendo da situação.

Demandas familiares

Algo que pode se tornar um problema são as necessidades da casa. O fato de trabalhar em home office pode gerar nos outros a falsa impressão de que você ‘está em casa’. De facto, você está, porém, no horário de trabalho é como se não estivesse, é preciso cumprir a rotina exigida pela empresa.

Quando você produz de casa, está sujeito a participar de tudo o que acontece no lar. É um vaso que entope, um cano que quebra, um vizinho que chama, um parente que vem visitar, um filho que adoece, a esposa que precisa fazer compras, a água que acaba, enfim, coisas que fazem parte da rotina de uma família. Não há como estas coisas não afetar o trabalho de quem está ali, presenciando a tudo o que ocorre. E, é preciso, de alguma forma, dar a contribuição ou assessoria para quem está cuidando de casa, seja o cônjuge, filhos ou empregados domésticos.

Horário de trabalho

Em casa parece que trabalhamos mais, pelo menos é assim no meu caso. Começo a produzir cedo e não tem hora de parar. No entanto, quando o trabalho diminui, termino mais cedo o expediente, coisa rara, mas acontece.

Quem trabalha de casa é preciso vigiar bastante na questão de horário. Há aquele que gosta de dormir demais, ou relaxar em horas indevidas, o que compromete demais a produção. Por outro lado, há quem trabalhe excessivamente não controlando a hora de parar para descansar. O nosso corpo precisa de descanso e a mente precisa relaxar para que o corpo suporte a tensão diária do trabalho. Por isto, é preciso dosar bem a hora de iniciar e parar.

Ganhos e perdas

Eu já trabalho neste formato há cerca de vinte anos. A adaptação foi muito rápida, os ajustes foram sendo feitos conforme a necessidade. A gente precisa ceder um pouco aqui e ali, mas, foi muito benéfico. Em meu caso, no início, morávamos eu, minha esposa e meu filho. Nossa casa não é grande, mas, tive o privilégio de ter um cômodo em que pude utilizar como escritório, o que favoreceu bastante. Meu filho estudava e trabalhava, e depois casou-se. Então, não tivemos problemas de disputa por espaço. Um fato relevante a considerar é a minha esposa que, volta e meia, solicita, até hoje, a minha ajuda em alguma coisa, porém, isto não se constitui em um problema, considerando que no trabalho fora de casa os pedidos de ajuda por terceiros também acontecem e precisamos colaborar.

Entre ganhos e perdas, acredito que para a maioria é uma grande vantagem o chamado home office. O funcionário tem os seus ganhos, a empresa também ganha bastante diminuindo determinados custos. O trânsito diminui um pouco devido a diminuição de carros na rua.

Pr Sergio Rosa

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O Milênio e a Grande Tribulação

Mateus 24.27

Dentre os mais diversos grupos cristãos, esta pergunta sempre emerge: quando será a segunda vinda de Jesus? Diversas vozes se levantaram na tentativa de responder a esta questão. Neste texto, iremos discorrer sobre as diferentes correntes teológicas que definiram este assunto.

A segunda vinda de Jesus é a base da esperança cristã, o evento que marcará o início da complementação do plano de Deus. O próprio Jesus confirma a sua vinda com a informação dada em Mateus 24.30: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder, e grande glória”.

Apesar de Deus ter estabelecido um tempo definido, esse tempo não foi revelado. Jesus indicou que nem ele nem os anjos sabiam o tempo de seu retorno e que seus discípulos também não saberiam (Mc. 13.32-33, 35).

Sobre este assunto, pelo menos três correntes teológicas sistemáticas surgiram ao longo dos anos:

Amilenismo

A ideia de que não há um milênio, onde Jesus viria reinar sobre a terra. O grande julgamento final seguir-se-á imediatamente à segunda vinda de Jesus. No século XX quando o pós-milenismo começou a perder popularidade, foi em geral substituído pelo amilenismo. O amilenismo se distingue mais por sua rejeição ao pré-milenismo que por suas afirmações. Se parece muito com o pós-milenismo de tal forma que nem sempre é possível distinguir um do outro. É possível que ambos simplesmente não tenham sido diferenciados durante boa parte dos dezenove primeiros séculos da igreja.

Os amilenistas acreditam que o livro de apocalipse como um todo é muito simbólico, portanto os “mil anos” citados em Apocalipse 20 são alegóricos, não podendo ser compreendidos literalmente.

Pré-milenismo

Trata-se de uma visão pessimista do evangelho. Tudo no mundo irá piorar, quando parecer insustentável ocorrerá a segunda vinda de Cristo para inaugurar o milênio. Haverá um reinado terrestre de Jesus com duração de mil anos. Ao contrário do pós-milenismo, o pré-milenismo entende que Cristo estará fisicamente presente durante este período.

Esta doutrina encontrou mais espaço nos três primeiros séculos da igreja. O milênio seria um tempo de grande abundância e fertilidade, de renovação da terra e de construção de uma Jerusalém glorificada. Acredita-se que os santos governarão junto com Cristo, como prêmio pela fidelidade.

Esta concepção possui um número considerável de adeptos entre batistas conservadores, grupos pentecostais e igrejas fundamentalistas independentes.

Esperam por um evento repentino, cataclísmico, onde o mal é eliminado. Esta corrente tem uma interpretação literal de Apocalipse 20.4-6. Acreditam que haverá duas ressurreições, uma no início e outra no fim.

De acordo com o pré-milenismo, haverá uma ruptura bem marcante em relação às condições conforme as encontramos agora. Haverá paz mundial, as guerras cessarão. A harmonia universal alcançará também a natureza. Os animais viverão em harmonia uns com os outros (IS 11.6,7; 65.25), e as forças destrutivas da natureza serão acalmadas. Os santos governarão junto com Cristo nesse milênio.

Antes do milênio a humanidade enfrentará a chegada da grande tribulação, um período de sete anos de grandes dificuldades, convulsões sociais sem precedente, distúrbios cósmicos, perseguição e grande sofrimento. A terra atingirá o seu pior estado logo antes de Cristo vir para estabelecer o milênio.  Esta parte se divide entre dois pensamentos: um grupo acredita que a igreja enfrentará a grande tribulação e outro grupo acredita que a igreja não estará presente na grande tribulação.

Dispensacionalismo

Uma doutrina surgida a partir do pré-milenismo é o dispensacionalismo. Trata-se de um sistema de interpretação da Bíblia de forma literal. É um esquema interpretativo unificado, ou método de interpretação das Escrituras. Esta corrente acredita que Israel é a nação escolhida, e não a Igreja reunida. Eles sustentam que Deus fez uma aliança incondicional com Israel. Independente de qualquer coisa, Israel continuará sendo seu povo especial. Essas dispensações são estágios sucessivos na revelação divina de seus propósitos. Há uma discordância sobre o número de dispensações, sendo que o número sete é o mais aceito.

No dispensacionalismo, Deus retomará seu relacionamento com Israel, algum tempo depois que a igreja tiver sido arrebatada. O milênio, por conseguinte, terá um caráter notavelmente judaico.

Tribulacionistas, são conservadores que ensinam que a vinda de Jesus ocorrerá em duas etapas: arrebatamento e a revelação aos santos. Esses dois eventos serão separados pela grande tribulação, que, segundo se acredita, deve durar cerca de sete anos. Ela se divide em:

. Pré-tribulacionista - Cristo removerá a Igreja do mundo antes da grande tribulação. O arrebatamento ou a sua segunda vinda será secreta; não será percebida por ninguém, exceto a igreja. Uma vez que precederá a tribulação, não há profecia que ainda precise ser cumprida antes que possa acorrer. Portanto, pode ser a qualquer momento. O arrebatamento livrará a igreja da grande tribulação. Ao final de sete anos, o Senhor voltará mais uma vez. Cristo será estabelecido como rei durante mil anos.

Observando, porém as escrituras, não encontramos subsídios bíblicos para uma vinda secreta de Jesus. Pelo contrário, Mateus 24.27 diz que será um evento para todos verem, comparou a um relâmpago.

. Pós-tribulacionista – A igreja enfrentará a grande tribulação e Cristo voltará após seu termino. Defendem a ideia de que a Igreja estará presente na grande tribulação e sofrerá com ela. A vinda de Cristo não ocorrerá até a conclusão do período de sete anos. O Senhor preservará a Igreja, mas, não a livrará de passar pela tribulação.

. Meso-tribulacionista – Acredita que a Igreja enfrentará apenas parte da grande tribulação. Nesta doutrina a igreja é retirada após enfrentar um período da grande tribulação.

Pós-milenismo

Trata-se de uma concepção otimista do evangelho - A segunda vinda de Cristo encerrará o milênio (Apocalipse 20) do reinado de Jesus na terra. O milênio não necessariamente seriam mil anos literais, mas, um tempo prolongado. A pregação do evangelho será tão bem-sucedida que o mundo se converterá, a paz vencerá e o mal será banido. Então Cristo retorna e inicia o milênio. Cristo, embora fisicamente ausente, reinará sobre a terra.

Esta doutrina foi mais popular nos períodos em que a igreja parecia estar obtendo sucesso em sua tarefa de ganhar o mundo. Embora defendida por Agostinho, tomou popularidade no Século XIX. Período de grande efervescência missionária. Havia muita expectativa em se alcançar rapidamente o mundo para Cristo. A base para este pensamento está em algumas passagens bíblicas do AT: Salmos 47, 72 e 100; Isaías 45.22-25; Oséias 2.23, que declara que todas as nações se aproximarão de Deus.

Esta doutrina acredita na literalidade do texto de Mateus 24.14, em que o evangelho seria pregado a todo o mundo e então Jesus voltaria.

Esta doutrina defende que o reino de Deus é uma realidade presente, aqui e agora, não como um domínio celestial futuro. As parábolas de Jesus em Mateus 13 nos dão uma ideia da natureza deste reino.

Conclusão

Todas as correntes apresentadas têm base bíblica, cada uma montou a sua própria sistemática baseadas em diversos textos que comprovam a sua teoria. Uma usa a forma de interpretação alegórica para alguns textos e a outra utiliza uma forma de interpretação crítica textual. Assim, para uma os mil anos é apenas uma metáfora e para a outra é literal.

O fato é que não sabemos como ou quando tudo isto ocorrerá. O próprio Jesus, enquanto homem, afirmou que nem ele mesmo sabia: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai”. (Mateus 24.36).

Desta forma, podemos conversar, estudar, fazer projeções, como o fez por diversas vezes as Testemunhas de Jeová, mas, o certo é que não sabemos e não temos condições de saber, a não ser que o próprio Deus revele a alguém, o que é bastante improvável, considerando que nem Jesus soube.

Então em que devemos crer? A mensagem da segunda de Cristo tem a ver com a questão da vigilância diária e não com a preocupação sobre que dia e quando este fato ocorrerá. Se o cristão entender que Cristo está vindo a cada dia em seu coração, estaria sempre pronto, e teria um viver cristão saudável, trataria de manter a sua lâmpada sempre cheinha. Porém, o que se percebe é que o evangelho vem se deteriorando diariamente, e que Jesus e os princípios deixaram de ser a coisa mais importante da Igreja.

Pr Sergio Rosa

terça-feira, 29 de outubro de 2024

A unidade perfeita

 I Coríntios 12.12

A metáfora que Paulo utiliza para falar da igreja aqui é sensacional. É tão simples e prática que qualquer criança entende. Ele compara um corpo físico a igreja e afirma que a igreja é o corpo de Cristo. Isto não é algo literal, é alegórico, foi a forma que ele utilizou para ensinar para a igreja qual deveria ser o seu comportamento. A igreja deve se comportar da mesma forma que um corpo humano. Esta forma de ensino é surpreendente, pela sua profundeza e simplicidade. Qualquer criança consegue entender esta analogia. O problema não é entender, mas, sim praticar. A Igreja de Corinto, era rica, tinha muito dons, mas, era um corpo doente.

Seguindo este princípio ensinado por Paulo, entendemos que a igreja é um organismo vivo, uma entidade, um ser. O desafio da igreja é tornar-se uma unidade perfeita, como perfeito é o funcionamento do corpo humano.

A partir desta introdução, podemos verificar algumas semelhanças:

1. A Igreja de Jesus não é um corpo sem cabeça.

Se não seríamos anencéfalo. O que acontece um corpo anencéfalo? Segundo pesquisas: “Aproximadamente 75% dos fetos anencéfalos morrem dentro do útero. Dos 25% que chegam a nascer, todos têm sobrevida vegetativa que chega a 24 horas na maioria dos casos”. São raros os que sobrevivem. E, se sobreviver, vivem como se fosse um vegetal. Não falam, não andam, não sentem nada. Isto porque lhes falta o principal, o cérebro.

A Igreja pode sobreviver sem pé, sem mão, sem muitos dos órgãos do corpo, mas, não conseguirá sobreviver sem a cabeça. Cristo é a cabeça da igreja. Uma igreja sem cristo é uma igreja anencéfala. João diz: “...tens nome de que vives e estás morto” (Apocalipse 3:1). Está viva no diagnóstico, mas, é como se estivesse morta.

Cristo, portanto, é a cabeça espiritual, ou seja, aquele de quem vem todo o comando para o corpo. No entanto, uma cabeça não vive sozinha, precisa de um corpo. A Igreja é o corpo de Cristo. Enquanto organismo vivo necessita dos órgãos para sobreviver. Paulo descreve bem isto no capítulo 12 de I Coríntios. Ele cita alguns membros: Pés, mãos, ouvidos, olho, e membros que ele chama de mais fracos e os que parecem menos dignos e não decorosos e membros nobres.

Imagina a confusão que seria se um órgão do seu corpo decidisse se rebelar contra as ordens da sua cabeça e quisesse ser autônomo fazendo sua própria vontade? Você quer escovar os dentes, mas, ele quer pentear o cabelo. Todas as duas coisas são importantes, porém, uma delas é prioritária. Por algum motivo relevante o cérebro entendeu que naquele momento era preciso escovar os dentes e não pentear o cabelo. Talvez estivesse na hora de dormir ou coisa que o valha. Seja qual for o motivo, não é mão quem decide o que irá fazer, mas o cérebro.

2. A Igreja de Jesus não é um corpo com movimentos involuntários

Quando eu estava na Bahia uma amiga nossa, esposa de um pastor querido teve um tipo de curto circuito em seu sistema nervoso. Ela perdeu o controle dos movimentos do seu corpo. Ela se movimentava aleatoriamente, sem que ela pudesse controlar. Ela estava consciente e vendo tudo, estava lúcida, consciente, porém, sem controle. Não foi um caso de endemoninhamento, foi uma perda de controle de movimentos. Seus braços, pernas e cabeça se movimentavam para todos os lados aleatoriamente. Ela tinha espasmos e movimentos involuntários em todo o corpo.

A igreja que não está centrada em Cristo terá esta característica. Poderá ter muitos movimentos, fazer muita coisa, mas, nenhuma fará sentido, porque serão movimentos involuntários.

3. A Igreja de Jesus é um corpo com unidade

A pergunta que podemos fazer é como podemos promover a unidade de um corpo com órgãos tão distintos entre si? A razão pela qual há unidade em um corpo físico é porque todos os nossos corpos são ligados a um sistema nervoso central. Todos os órgãos são interligados ao cérebro através deste sistema. Desta forma, o apóstolo, inspirado pelo Espírito, foi muito feliz nesta comparação. O corpo é a metáfora perfeita para a Igreja. Você consegue imaginar um órgão que não esteja ligado ao sistema nervoso central do seu corpo? Ele não te ajudará em nada, será um peso. Tenho um amigo muito querido que sofreu um derrame que paralisou todo o seu lado esquerdo. Ele luta a anos com fisioterapia para tentar recuperar os movimentos de braços e pernas, que estão paralisados. Agora, imagina outra situação, daquela minha amiga que perdeu o controle de seus membros. Se compararmos a uma igreja, seria uma igreja onde todos querem fazer algo, mas, independente, desligados do sistema nervoso central.

4. A unidade do corpo se dá através do seu sistema nervoso central

É através do sistema nervoso central que o corpo se comunica com o cérebro e o cérebro se comunica com o corpo. Na igreja poderíamos afirmar que este sistema é a liderança. A liderança é formada por líderes de ministérios, diretoria estatutária e o pastor. Cada um destes líderes tem uma função específica no corpo. E cada membro tem o seu papel dentro das organizações. Para que todo o corpo funcione bem, cada um precisa fazer a sua parte com excelência, em unidade.

No topo da espinha dorsal está a diretoria, no topo da diretoria o pastor. Nenhum destes membros é superior ou mais importante que o outro, devido a sua posição. Não é uma hierarquia, é uma organização. Nela, o pastor é o elemento principal, mas isto não o faz ser melhor ou mais importante que ninguém, mas, ele tem uma função específica. Liderar o corpo.  

Igualmente os líderes. Não são melhores do que os seus liderados, mas cada um recebe uma designação específica. Quando um membro quer fazer aquilo que não é a sua função, gera conflito e todo o corpo sofre. Cada pessoa que assume uma função é direcionada por Deus para desenvolver um trabalho específico.

Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve”. (I Cor 12.18)

Eu pastorei uma igreja onde a diretoria queria ditar as normas para o pastor. Queria dizer para o pastor o que ele deveria fazer. Eu agradeci a oportunidade e saí desta igreja. Eu entendo que o pastor é aquele que faz a conexão entre a Igreja e a Cristo. Não como um sacerdote do Antigo Testamento, não como um ungidão que só ele tem a revelação última. Mas, pelo simples fato de que a igreja é um corpo e a unidade deste corpo está diretamente ligada àquele que está no topo da espinha dorsal.

Conclusão

Desta forma, entendo que o pastor, abaixo de Cristo, é o principal responsável por promover a unidade deste corpo. Ele é o responsável por ouvir a voz de Deus e estabelecer as diretrizes deste corpo. Ainda que ele ouça sua liderança, e deve mesmo ouvir, pois na “multidão de conselhos há sabedoria”, a decisão para onde a igreja deve ir precisa ser dele.

Todas as entidades, seja civil, militar, governamental ou religiosa necessita da figura de um líder para promoção da unidade. Cabe aos liderados, concordando ou não com a visão, não apenas obedecer, mas, através de sua função, contribuir com excelência para que a visão seja alcançada.

É fundamental que o líder seja honrado, por que o nome dele e da instituição que lidera se confundem, não há como separar. Se o pastor tem a sua imagem manchada, toda a igreja sofrerá.

Para concluir, uma igreja que consegue que o corpo funcione em unidade é uma igreja vencedora, é uma igreja que não terá limites para tudo o que deseja fazer.

domingo, 29 de setembro de 2024

Demas, um desigrejado

2 Timóteo 4.10

Hoje há um crescente número de pessoas que são consideradas desigrejadas. Desigrejado é um termo novo usado para definir evangélicos que continuam acreditando em Deus, seguindo suas vidas de acordo com os princípios bíblicos, mas, não querem mais participar de uma religião organizada como membro, não seguem mais muitas das doutrinas defendidas por sua denominação. Elas praticam a sua fé pessoal, porém, sem um pastoreio.

Muitas destas pessoas se decepcionaram com a igreja, tiveram fortes problemas ou decepções com os irmãos e/ou com a liderança, e isto fez com que se afastassem. Já outras, se sentiram atraídas por coisas que não lhes convinham, enquanto membros de uma igreja, e fizeram a escolha de se afastar do convívio religioso para não se sentirem tolhidos. Há também aqueles que se afastaram por estarem por demais envolvidos com estudo, trabalho, cursos, treinamento, busca de renda extra, e outras coisas que lhes ofereçam um crescimento financeiro. Não vejo nada errado na busca de desenvolvimento pessoal, aliás, eu até estimulo. Porém, isto pode ser um problema, se não souber dosar. 

Ao meu modo de ver, Demas faz parte deste último grupo, aquele que foi atraído pelo mundo, no sentido de abandonar a sua missão com Paulo para buscar coisas mais confortáveis para a sua vida. Ele não foi atrás de prazeres, mas, estava cansado do sofrimento, de perseguições e prisões.

1. Quem foi Demas?

Filemom 1.24 afirma que ele foi um cooperador. Esta simples palavra diz muita coisa a respeito deste homem. Ninguém se torna cooperador da noite para o dia. A palavra cooperador dá a entender que ele já caminhava com os cristãos a muito tempo. E não apenas isto, ele era participante e produtivo, não era um turista religioso.

Na carta de Paulo aos Colossenses 4.14 há uma saudação de Lucas para Demas. Aqui se verifica que ele era uma figura bastante conhecida no meio eclesiástico daquele momento. Podemos afirmar que era alguém da alta liderança da Igreja neotestamentária.

2. O que aconteceu com Demas?

Paulo quando escreve 2 Timóteo 4.10, afirma que ele fez três coisas que decepcionaram a Paulo:

2.1. Me abandonou.
Demas era um líder dentre os cristãos, deve ter feito muito bom trabalho, no entanto, algo aconteceu que o paralisou e não quis mais trabalhar, não quis mais fazer nada na igreja, não quis mais servir. Se interessou por outras coisas que era de ordem material ou secular, e abandonou ao seu mentor espiritual.

Muitas são as coisas que nos entristecem na igreja e nos fazem querer parar de trabalhar. Como pastor, já enfrentei muita decepção, coisas que me machucaram profundamente, que me fizeram repensar muita coisa. Uma das coisas que pensei é que não queria mais ser membro de uma igreja, embora eu ame a Deus e aos seus princípios, mas, deixei, por um momento, de amar a igreja. Esse foi um pensamento que me consumiu por cerca de dois anos. Não queria saber de igreja, não queria produzir nada na instituição igreja. Poderia dizer que estava vivendo uma verdadeira síndrome de Demas.

A minha experiência pessoal me leva a crer que nem todas as pessoas que deixam as igrejas são porque amaram o presente século. Acredito que a grande maioria dos desigrejados, de alguma forma, se decepcionou com a Igreja local. Não rejeitaram a Deus e aos seus princípios, mas, se recusaram a viver em uma comunidade que lhe estava fazendo mal e não bem. O que pode não ser bom, porque a igreja inda é o refúgio dos santos. No entanto, conviver com pessoas doentes pode trazer diversos problemas espirituais e emocionais.

2.2. Amou o presente século 

Paulo não explica o que ele quer dizer exatamente com a expressão grega ‘aion’. A versão NVI diz que Demas amou o mundo, a King James diz que ele amou o mundo Secular, e a NTLH afirma que ele se apaixonou por este mundo. Esta expressão pode ser atribuída a prazeres ilícitos, a desejo de enriquecimento tanto lícito quanto ilícito, desejo de poder, busca de coisas materiais ou seculares, período de tempo, o mundo, século, tempo perpétuo, dentre outras coisas. Não acredito que Demas tenha sido atraído por coisas pecaminosas, acredito que tenha desejado uma vida melhor, com menos sofrimento, provocado por um extenuante ministério itinerante, com muitas carências e perseguições.

2.3. Foi para Tessalônica

Tessalônica era uma grande metrópole, é como se ele saísse do Brasil para a Europa. Este fato corrobora com a ideia de que Demas deixou tudo para cuidar de sua própria vida e não mais ter que pagar aquele preço de ser um líder de uma instituição que vivia sendo perseguido pelos judeus.

O problema foi que Paulo se chateou com esta situação, porque o seu amigo o deixou na mão. Algumas versões trazem a palavra: “ele me desamparou”, ao invés de “me abandonou”. Isto mostra o quanto Paulo precisava dele para realizar a obra missionária. Porém, cada um conhece o seu limite. E, aquele foi o de Demas.

Conclusão

Esta curta passagem de Demas nos faz refletir profundamente sobre a igreja pós-moderna. Hoje há um crescente número de desigrejados, que talvez seja uma quantidade semelhante aos igrejados. Pessoas que um dia fizeram parte do corpo e hoje se encontram distantes por algo que as afastaram.

Se o motivo do afastamento é de origem pecaminosa, cabe ao desigrejado refletir se vale a pena a troca, se a vida em pecado é realmente melhor do que a comunhão com a igreja e com Deus. Entretanto, se o motivo do afastamento foi um aborrecimento com algum irmão ou líder da igreja, o processo pode ser um pouco mais difícil, porque terá que vencer um forte problema emocional. Talvez seja preciso envolver perdão.

Rosana, minha esposa, tem um sermão ótimo, baseado na história de José do Egito. Ela diz que José só foi realmente feliz quando foi confrontado com a presença de seus irmãos, e liberou perdão para todos eles. Ele poderia prendê-los, rejeitá-los, se vingar, mas, não fez nada disso. Ele chorou amargamente, lavando a sua alma; os abraçou e os beijou. Se ele fizesse a opção de reter o perdão, viveria amargurado o resto de sua vida, porém, a história mostra que ele escolheu perdoar.

Perdoar não é algo fácil, não é sentimento, é uma decisão. Não se perdoa porque se sente o desejo de perdoar, mas, por uma necessidade. O perdão nos faz bem, nos faz sentir melhor. Porém, é necessário que a pessoa que está sendo perdoada de fato esteja arrependida do que fez. Até mesmo Deus, para nos perdoar de nossos pecados, espera que nos arrependamos.

Se algo aconteceu com você e te aborreceu tão grandemente a ponto de te colocar nesta posição de escolha, não faça como Demas, escolha a comunhão com os santos, por mais difícil e desafiador que isto possa parecer. E, não se permita tornar-se um cristão amargo devido às suas experiências ruins, seja amoroso sempre, porque essa é a nossa essência, o amor do Pai.